Curitiba, ParanáCuritiba, ParanáCuritiba
Política

Crise institucional prejudica debate eleitoral, avaliam entidades

A menos de um mês do primeiro turno das eleições de 2026, a escalada da crise político-institucional ofuscou o debate sobre as propostas de campanha e os problemas estruturais brasileiros. Para entidades da sociedade civil ouvidas pela Agên

Compartilhar
Imagem relacionada à notícia: Crise institucional prejudica debate eleitoral, avaliam entidades
Crise institucional prejudica debate eleitoral, avaliam entidadesCrédito: © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A menos de um mês do primeiro turno das eleições de 2026, a escalada da crise político-institucional ofuscou o debate sobre as propostas de campanha e os problemas estruturais brasileiros. Para entidades da sociedade civil ouvidas pela Agência Brasil , ao extrapolarem o Supremo Tribunal Federal (STF) e envolverem outras instituições, as disputas entre ministros da Corte dominaram o noticiário, as redes sociais e as conversas cotidianas, desviando o foco dos desafios nacionais. “O debate eleitoral está prejudicado porque, no primeiro plano, as atenções estão todas voltadas para os reflexos da atual crise institucional do Poder Judiciário”, reconheceu a presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro. Presidenta da Fenaj, Samira de Castro diz que atenções estão voltadas para crise no Poder Judiciário - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado • Fachin dá 24h para Mendonça levantar sigilo de todo caso Master. • STF: Zanin pede a Fachin acesso a todo material de celular de Vorcaro. • Moraes aponta “escolha seletiva” e pede divulgação de todo caso Master. Para a presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia, a agenda pré-eleitoral foi tomada por temas que a sociedade não escolheu e que deveriam ser debatidos em conjunto com propostas de mudanças estruturais que estimulem o desenvolvimento nacional. “Há uma lacuna imensa em relação a outros temas fundamentais que deveriam estar no centro do debate político-eleitoral, como a ciência, que depende de regras estáveis, orçamento previsível e atenção. É como se [devido à proximidade das eleições] o país fosse obrigado a escolher entre discutir a integridade das instituições ou um projeto mais amplo de desenvolvimento nacional, quando estes dois temas fazem parte da mesma agenda”, comentou Francilene. Presidente da SBPC, Francilene Garcia vê lacuna em relação a temas que deveriam estar no centro do debate político-eleitoral, como a ciência - Foto: SBPC/Divulgação Os entrevistados concordam que os fatos vindos à tona a partir dos desdobramentos da Operação Compliance Zero , cuja primeira fase foi deflagrada em novembro de 2025 pela Polícia Federal (PF), são graves. Eles defendem a apuração das suspeitas de envolvimento de autoridades com o dono do antigo Banco Master, Daniel Vorcaro, mas sem tirar espaço do debate sobre as propostas de quem disputará um cargo executivo ou legislativo no dia 4 de outubro. O coordenador honorário da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, considera as eleições deste ano as mais relevantes desde a Constituição Federal de 1988, "pois o mundo está vivenciando uma reorganização produtiva e uma série de conflitos". "Apesar disso, os grandes temas que deveríamos estar discutindo – desenvolvimento econômico, soberania nacional, uma agenda que articule defesa, educação, ciência e tecnologia – estão escanteados. Não só do debate público e do noticiário, mas também dos programas de governo. Os candidatos parecem não compreender a situação que o Brasil está enfrentando”, completou o coordenador. Para o coordenador honorário da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, eleições deste ano são as mais relevantes desde a Constituição de 1988 - Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado Segundo a presidenta do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Rita Serrano, para a classe trabalhadora, são prioritários o fim da escala 6x1; a geração de emprego e renda; a regulamentação da negociação coletiva no setor público ( Projeto de Lei 1.893/2026 ); a segurança pública e temas estratégicos para o desenvolvimento econômico e a preservação da soberania nacional, como o aproveitamento dos minerais críticos e estratégicos. “As centrais sindicais já vinham atuando no Congresso para convencer os parlamentares a aprovarem o fim da escala 6x1 e a regulamentação das relações de trabalho e da representação sindical no setor público. Até o fim de agosto, isso estava avançando. Aí o Brasil virou uma confusão. No momento, todos os Poderes parecem estar surpresos, e a sociedade assustada com o desenrolar desta crise institucional – que é gravíssima e jogou para segundo plano todos os outros temas”, disse Rita, revelando que as próprias entidades sindicais estão “tentando compreender o momento e pautar a discussão pré-eleitoral, que é mais ampla”. Temas em discussão no Congresso como o fim da escala 6 x 1 foram jogados para segundo plano em meio à crise, afirma a presidenta do Diap, Rita Serrano - Foto: Elaine Menke/Câmara do Deputados Além de demonstrarem incômodo com o que entendem como “o sequestro da pauta eleitoral”, os entrevistados, concordam com a centralidade das mudanças climáticas. “Vimos o que aconteceu no Rio Grande do Sul e em outras partes do mundo. A seca na Amazônia e as enchentes no Sul do país. Vimos o quanto isso afeta a vida das pessoas e os custos para o orçamento público, devido ao atendimento às vítimas, à reconstrução de cidades arrasadas e à quebra de safras, por exemplo", comentou o secretário executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini. Com informações da Agência Brasil.

Fonte: Agência Brasil / EBC

Compartilhar

Leia também

PolíticaRafael Greca é internado em Curitiba após queda durante campanha; exames descartam fraturaPolíticaRomeu Zema e Augusto Cury passam por Curitiba em agendas de campanha nesta segunda-feiraPolíticaLuciano Carvalho toma posse como vereador de Curitiba após cassação de Lórens Nogueira

Comentários

Deixe sua opinião sobre esta notícia.

Seja o primeiro a comentar