Forças Armadas do Irã reagem a discurso de Trump na ONU e prometem resposta a novos ataques
Comando militar iraniano classificou as declarações do presidente dos Estados Unidos como propaganda e afirmou estar preparado para responder caso ocorram novas ofensivas.

A tensão entre Estados Unidos e Irã voltou ao centro das discussões internacionais após o discurso do presidente americano, Donald Trump, na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Horas depois das declarações feitas na terça-feira (22), o comando militar iraniano divulgou uma resposta pública e advertiu que reagirá caso o país seja novamente atacado. Em comunicado divulgado pela imprensa iraniana, o Estado-Maior das Forças Armadas e o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya classificaram as declarações de Trump como voltadas à propaganda interna dos Estados Unidos. Os militares também usaram a expressão “desespero estratégico” para descrever a postura americana. Essas classificações representam a posição oficial apresentada por Teerã, e não uma conclusão independente sobre a situação militar dos dois países. O comunicado acrescentou que as forças iranianas estariam preparadas para realizar respostas “mais severas, esmagadoras e imprevisíveis” diante de novos ataques dos Estados Unidos ou de Israel. A advertência ocorre em meio ao prolongamento do conflito iniciado após ofensivas conjuntas americanas e israelenses contra o Irã no fim de fevereiro. Na tribuna da ONU, Trump voltou a afirmar que os Estados Unidos não aceitarão que o Irã desenvolva uma arma nuclear. Em sua fala, o presidente americano apresentou como alternativas a obtenção de um acordo ou uma nova escalada militar e chegou a utilizar o termo “aniquilar” ao falar sobre a República Islâmica. A Casa Branca publicou trechos oficiais do pronunciamento e reiterou a posição do governo americano de impedir uma capacidade nuclear militar iraniana. Apesar do tom de confronto público, os dois governos mantiveram um canal diplomático aberto em Nova York. O enviado americano Steve Witkoff afirmou que ocorreram conversas prolongadas com representantes iranianos por intermédio de mediadores. Trump, por sua vez, descreveu os contatos como produtivos e disse acreditar que existe impulso para um possível acordo. Há versões diferentes sobre se as delegações chegaram a conversar diretamente ou se todo o contato ocorreu por intermediários. Entre os temas em discussão está o Estreito de Ormuz. Segundo informações divulgadas por veículos iranianos, Teerã condiciona avanços à redução da pressão militar americana, ao fim do bloqueio naval sobre seus portos e à liberação de ativos iranianos congelados. Washington, por outro lado, mantém entre suas exigências garantias sobre a navegação no estreito e o programa nuclear do Irã. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, está em Nova York para participar da Assembleia Geral. A movimentação diplomática ocorre, portanto, simultaneamente à escalada das declarações públicas entre os dois governos, deixando abertas tanto a possibilidade de novas negociações quanto o risco de agravamento do conflito.
Fonte: Casa Branca / Press TV / Al Jazeera

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