‘Muito ancestral e intuitivo’, diz Pretinho da Serrinha sobre a produção de Xande Canta Caetano
O aclamado multi-instrumentista, compositor e produtor musical Pretinho da Serrinha está em turnê pelo Brasil, com o show “Batuke do Pretinho da Serrinha”.

O aclamado multi-instrumentista, compositor e produtor musical Pretinho da Serrinha está em turnê pelo Brasil, com o show “Batuke do Pretinho da Serrinha”. O projeto propõe uma grande roda de samba interativa, com patrocínio da Petrobras e incentivo do Ministério da Cultura. Em entrevista ao programa Conversa Bem Viver , da Rádio Brasil de Fato , Pretinho conta que o show estreou no espaço Reserva Cultural, na cidade de Niterói, e prevê gratuidade ao público e passagem por cidades fora do circuito das capitais estaduais. “A gente foi do jeito que a gente vai em todos os lugares, sabe? Levando convidados, chamando pessoas, e foi o mesmo batuto de sempre. Foi muito bom”, destacou o sambista. Pretinho revela que, no passado, preferia o estúdio por ser um ambiente protegido e livre de julgamentos do público. “No estúdio, você às vezes está muito sozinho ou num grupo pequeno. No show, você está com uma plateia de sei lá quantas pessoas. Eu sou uma pessoa que troca muito, eu fico o tempo inteiro focado em tudo que está acontecendo”, completou o músico. Nascido no Morro da Serrinha, o músico cresceu em meio a expressões culturais tradicionais como o jongo e o samba. Durante a conversa, Pretinho lembra como usa os ensinamentos do Mestre Darcy, com quem aprendeu a tradição cultural, nos seus trabalhos: “O jongo é um movimento de resistência cultural. Mas ele tem que andar, ele tem que sair da serrinha. Então, para sair, você tem que misturar, porque senão fica uma coisa muito do terreiro. No disco ‘Som de Madureira’, tem o Lulu Santos tocando guitarra. Quem está tocando o piano que tem no jongo é o Marcos Valle. O jongo que sai de uma senzala, que passa para o terreiro, que chega ao morro e chega ao Lulu Santos, ao cara do pop. Deu o mole, eu boto um 6 por 8, tocando um tambor e ninguém SE percebe. Quando vê, está todo mundo dançando.” Pretinho, desde a infância, participou da escola de samba Império Serrano . Aos 10 anos, já estava compondo a bateria, da qual depois ele SE tornaria mestre. Mesmo mais afastado da agremiação, ele lamentou a ausência dela no Grupo Especial e contou como fez parte da produção de uma composição de samba-enredo sobre Arlindo Cruz, que acabou perdendo a disputa interna: “A gente fez um time pesado, foi um samba pro Arlindo, para parceiros do Arlindo. A quadra inteira era o samba e a gente perdeu. Coisa do carnaval, coisa de escola de samba, por isso que eu não gosto de disputar samba-enredo. Eu sou imperiano, eu não quero sentir nada de ruim pela minha escola. Eu prefiro sair, continuar com o meu amor pela minha escola, mas eu não quero mais participar de nada aqui.” Ao mencionar a produção musical do álbum “Xande Cata Caetano”, Pretinho revela que executou a maioria dos instrumentos na gravação e que tinha aval do cantor Xande para decisões. Ele também avalia que esse trabalho subiu o patamar do seu trabalho, criando uma espécie de desafio para o que viria pela frente na sua carreira. “Ainda bem que eu consegui
Fonte: BRASIL DE FATO

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