Projeto avança e pode mudar destino de restos mortais após três anos nos cemitérios de Curitiba
Proposta aprovada pela Comissão de Urbanismo prevê cremação, incineração ou transferência para ossuário coletivo em situações específicas, após tentativa de notificação dos familiares.

Um projeto da Prefeitura de Curitiba que altera as regras para a destinação de restos mortais nos cemitérios municipais avançou na Câmara Municipal e já pode ser incluído na Ordem do Dia para análise dos vereadores em plenário.

A proposta foi aprovada pela Comissão de Urbanismo, Obras Públicas e Tecnologias da Informação e modifica dispositivos da Lei Municipal 6.419/1983, que trata dos serviços funerários na capital.
O texto estabelece regras para casos específicos em que os restos mortais não são retirados pelos familiares depois do prazo previsto.

É importante destacar que a proposta ainda não é uma lei em vigor. O projeto precisa passar pela votação em plenário e pelas demais etapas do processo legislativo antes de produzir as novas regras.
Prazo mínimo de três anos
Pelo projeto, deverão ser respeitados pelo menos três anos após o sepultamento antes da aplicação das novas possibilidades de destinação.
A medida abrange principalmente restos mortais localizados em túmulos abandonados ou em ruínas que tenham sido revertidos ao Município e os de pessoas carentes sepultadas em gavetas municipais cedidas temporariamente.
Depois desse período, caso os familiares não façam a retirada, o Município poderá adotar um dos procedimentos previstos no projeto.
Entre as possibilidades estão:
cremação; incineração; transferência para ossuário coletivo.
Antes da destinação, deverá existir registro do procedimento e tentativa de comunicação aos familiares ou responsáveis.
Prefeitura terá que tentar localizar familiares
A proposta determina que a administração municipal tente notificar previamente os responsáveis.
Somente depois do cumprimento dos procedimentos definidos poderá ocorrer a destinação definitiva.
Mesmo depois da cremação, incineração ou transferência para o ossuário, os familiares continuarão tendo direito de consultar as informações registradas sobre a destinação dos restos mortais.
O projeto prevê, entretanto, que após a destinação definitiva não será possível solicitar posteriormente a guarda individual desses restos.
Cinzas deverão permanecer identificadas
Nos casos em que houver cremação ou incineração, o texto prevê que as cinzas tenham identificação coletiva e registro acessível.
Elas deverão permanecer por tempo indeterminado em uma área específica de um dos cemitérios municipais de Curitiba.
Os procedimentos práticos ainda precisarão ser regulamentados pelo Poder Executivo caso o projeto seja aprovado e transformado em lei.
As regras também poderão ser aplicadas, no que for cabível, aos cemitérios particulares da capital.
Limitação do ossuário motivou proposta
A Prefeitura justificou o projeto pela necessidade de melhorar a utilização dos espaços dos cemitérios municipais.
Segundo documentação encaminhada à Câmara, o espaço disponível no ossuário público é limitado, o que exige alternativas para garantir a continuidade do serviço funerário.
A proposta tramita sob o número 005.00803.2025.
Ela já passou anteriormente por outras comissões da Câmara, incluindo Constituição e Justiça, Direitos Humanos, Saúde e Serviço Público. Com a aprovação na Comissão de Urbanismo, a matéria está apta a seguir para votação em plenário.
Não existe, até o momento, confirmação de que os novos procedimentos já estejam sendo aplicados. Eles dependem da aprovação definitiva do projeto e da entrada em vigor da nova legislação.
Fonte: Câmara Municipal de Curitiba / Bem Paraná
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