Setransp alerta para possível demissão em massa de motoristas e cobradores em Curitiba
Sindicato das empresas de ônibus pediu negociação urgente com o Sindimoc diante do fim dos atuais contratos de concessão, previsto para 31 de dezembro de 2026.

O Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) fez um alerta sobre o risco de um processo de demissão em massa de motoristas e cobradores do transporte coletivo da capital.

Em ofício enviado nesta quinta-feira (27) ao Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), o Setransp pediu a abertura urgente de uma negociação coletiva para discutir a situação dos trabalhadores diante do encerramento dos atuais contratos de concessão.
Até o momento, as demissões não estão confirmadas. O documento trata da necessidade de planejamento caso as empresas que atualmente operam o sistema deixem de prestar o serviço após o término dos contratos.

Os contratos atuais foram prorrogados até 31 de dezembro de 2026, conforme termo aditivo da Urbs. O próprio documento oficial estabelece que a extensão foi feita para assegurar a continuidade do serviço enquanto o município estruturava o novo modelo de concessão.
Empresas demonstram preocupação com trabalhadores
Segundo o Setransp, uma eventual troca das empresas responsáveis pelo transporte poderá exigir uma grande operação trabalhista, envolvendo cálculo de rescisões, avisos-prévios e a situação de funcionários que possuem estabilidade provisória.
O sindicato empresarial também demonstrou preocupação com a possibilidade de trabalhadores deixarem seus empregos antes do encerramento dos contratos, situação que poderia afetar a operação das linhas de ônibus.
A intenção manifestada no ofício é estabelecer antecipadamente um cronograma de negociação com o Sindimoc para reduzir impactos trabalhistas e operacionais.
Nova concessão está em andamento
O alerta ocorre poucos dias depois da publicação do edital da nova concessão do transporte coletivo de Curitiba.
A Prefeitura publicou o edital em 19 de agosto. A entrega das propostas está marcada para 17 de novembro, e o leilão está previsto para 26 de novembro de 2026, na B3, em São Paulo.
O novo sistema será dividido em cinco lotes e prevê aproximadamente R$ 3,9 bilhões em investimentos durante os 15 anos de contrato. Entre as mudanças planejadas estão renovação da frota, ampliação da integração entre linhas e incorporação de ônibus elétricos.
Atualmente, o sistema de Curitiba possui 302 linhas, frota operacional superior a 1,2 mil ônibus e transporta cerca de 580 mil passageiros nos dias úteis, segundo dados divulgados pela Prefeitura.
O que acontece com motoristas e cobradores?
Ainda não está definido publicamente quantos trabalhadores poderão ser reaproveitados pelas futuras concessionárias.
Por isso, o Setransp defende que a discussão trabalhista seja iniciada com antecedência. A legislação exige participação sindical em processos de dispensa coletiva, e os direitos trabalhistas previstos para eventual encerramento dos vínculos deverão ser respeitados.
A Tribuna do Paraná informou que procurou o Sindimoc, mas a entidade não se manifestou sobre o assunto naquele momento.
O Notícias de Curitiba acompanha o processo da nova concessão e atualizará a matéria caso sejam divulgadas novas informações sobre a situação dos trabalhadores.
Fonte: Tribuna do Paraná / Urbs / Prefeitura de Curitiba
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