Trump cita acordo de petróleo com Venezuela e defende uso de força para proteger interesses dos EUA
Presidente norte-americano mencionou captura de Nicolás Maduro, acordo envolvendo 65 bilhões de barris e operações militares contra cartéis durante discurso na Assembleia Geral da ONU.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dedicou parte de seu discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22), à política norte-americana para a Venezuela e ao combate aos cartéis de drogas no continente. Ao abordar a Venezuela, Trump relembrou a operação militar realizada em 3 de janeiro deste ano que resultou na captura de Nicolás Maduro em Caracas. Maduro e sua mulher, Cilia Flores, foram levados aos Estados Unidos, onde ele posteriormente se declarou inocente das acusações apresentadas pela Justiça norte-americana. Trump também destacou um acordo anunciado no fim de agosto envolvendo a exploração de petróleo venezuelano. Segundo a Casa Branca, o arranjo prevê concessões de 100 anos para 17 campos com aproximadamente 65 bilhões de barris em reservas comprovadas e concede ao governo dos Estados Unidos direitos econômicos e de governança ligados à operação. Durante o discurso, o presidente afirmou que o acordo beneficiaria Venezuela e Estados Unidos e ajudaria a reduzir os custos de energia. Em seguida, declarou que os dois países reuniriam mais de 60% do petróleo mundial e utilizou a expressão “ao vencedor pertencem os despojos” ao comentar a operação venezuelana. A afirmação sobre os 60%, porém, não coincide com os dados públicos disponíveis sobre reservas comprovadas. A Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) aponta aproximadamente 303 bilhões de barris de reservas venezuelanas e cerca de 46 bilhões nos Estados Unidos. A Opep informou que as reservas mundiais comprovadas chegaram a cerca de 1,57 trilhão de barris. Pelas referências disponíveis, a soma de EUA e Venezuela fica perto de um quinto do total mundial, e não de 60%. Trump ainda afirmou que Washington poderá empregar sua capacidade militar caso considere necessário para defender interesses nacionais no Hemisfério Ocidental. A Reuters confirmou que o presidente apresentou a captura de Maduro e o acordo petrolífero como exemplos da política norte-americana para a região. Outro ponto do discurso foi o combate aos cartéis de drogas. Trump voltou a classificá-los como organizações terroristas e disse que ataques norte-americanos contra embarcações reduziram em 97% a entrada de drogas por mar. A afirmação já havia sido contestada por análises independentes: dados de apreensão não permitem determinar com precisão quanto do fluxo total de drogas deixou de chegar ao país. As operações militares dos Estados Unidos contra embarcações suspeitas no Caribe e no Pacífico também são alvo de críticas de organizações de direitos humanos e especialistas da ONU, enquanto o governo norte-americano sustenta que as ações fazem parte de sua estratégia de combate ao narcotráfico.
Fonte: ONU / Casa Branca / Reuters / EIA / Opep

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