Curitiba, ParanáCuritiba, ParanáCuritiba
Política

Trump cita acordo de petróleo com Venezuela e defende uso de força para proteger interesses dos EUA

Presidente norte-americano mencionou captura de Nicolás Maduro, acordo envolvendo 65 bilhões de barris e operações militares contra cartéis durante discurso na Assembleia Geral da ONU.

Compartilhar
Donald Trump durante discurso na Assembleia Geral da ONU em Nova York.
Donald Trump discursa na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.Crédito: Daniel Torok / Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dedicou parte de seu discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22), à política norte-americana para a Venezuela e ao combate aos cartéis de drogas no continente. Ao abordar a Venezuela, Trump relembrou a operação militar realizada em 3 de janeiro deste ano que resultou na captura de Nicolás Maduro em Caracas. Maduro e sua mulher, Cilia Flores, foram levados aos Estados Unidos, onde ele posteriormente se declarou inocente das acusações apresentadas pela Justiça norte-americana. Trump também destacou um acordo anunciado no fim de agosto envolvendo a exploração de petróleo venezuelano. Segundo a Casa Branca, o arranjo prevê concessões de 100 anos para 17 campos com aproximadamente 65 bilhões de barris em reservas comprovadas e concede ao governo dos Estados Unidos direitos econômicos e de governança ligados à operação. Durante o discurso, o presidente afirmou que o acordo beneficiaria Venezuela e Estados Unidos e ajudaria a reduzir os custos de energia. Em seguida, declarou que os dois países reuniriam mais de 60% do petróleo mundial e utilizou a expressão “ao vencedor pertencem os despojos” ao comentar a operação venezuelana. A afirmação sobre os 60%, porém, não coincide com os dados públicos disponíveis sobre reservas comprovadas. A Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) aponta aproximadamente 303 bilhões de barris de reservas venezuelanas e cerca de 46 bilhões nos Estados Unidos. A Opep informou que as reservas mundiais comprovadas chegaram a cerca de 1,57 trilhão de barris. Pelas referências disponíveis, a soma de EUA e Venezuela fica perto de um quinto do total mundial, e não de 60%. Trump ainda afirmou que Washington poderá empregar sua capacidade militar caso considere necessário para defender interesses nacionais no Hemisfério Ocidental. A Reuters confirmou que o presidente apresentou a captura de Maduro e o acordo petrolífero como exemplos da política norte-americana para a região. Outro ponto do discurso foi o combate aos cartéis de drogas. Trump voltou a classificá-los como organizações terroristas e disse que ataques norte-americanos contra embarcações reduziram em 97% a entrada de drogas por mar. A afirmação já havia sido contestada por análises independentes: dados de apreensão não permitem determinar com precisão quanto do fluxo total de drogas deixou de chegar ao país. As operações militares dos Estados Unidos contra embarcações suspeitas no Caribe e no Pacífico também são alvo de críticas de organizações de direitos humanos e especialistas da ONU, enquanto o governo norte-americano sustenta que as ações fazem parte de sua estratégia de combate ao narcotráfico.

Fonte: ONU / Casa Branca / Reuters / EIA / Opep

Compartilhar

Leia também

PolíticaONU: Lula apoiará multilateralismo e reforma do Conselho de SegurançaPolíticaEntenda os principais pontos sobre lula discursa nesta terça-feira na Assembleia Geral da ONUPolíticaPesquisa aponta empate entre Patrus e Cleitinho; o que eles dizem nos planos de governo

Comentários

Deixe sua opinião sobre esta notícia.

Seja o primeiro a comentar