Curitiba, Paraná
Economia

Veto da União Europeia pode causar impacto de US$ 392 milhões na pecuária do Paraná

Restrição às importações brasileiras afeta principalmente carnes de frango e bovina e preocupa o setor produtivo paranaense.

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Trabalhadores em indústria de processamento de frango no Paraná.
Indústria de processamento de aves no Paraná, setor que pode ser afetado pelas restrições da União Europeia. — Crédito: Jonathan Campos/AEN

A suspensão das importações de carnes e outros produtos de origem animal provenientes do Brasil pela União Europeia pode provocar um impacto superior a US$ 392,2 milhões por ano na pecuária do Paraná.

Contêineres no Porto de Paranaguá utilizados no transporte de produtos destinados à exportação.
Movimentação de contêineres no Porto de Paranaguá, uma das principais portas de saída das exportações paranaenses.

A estimativa foi divulgada pelo Sistema FAEP e considera o volume comercializado pelo Estado com os países do bloco europeu ao longo de 2025.

Somente no segmento de carne de frango, o Paraná exportou aproximadamente US$ 382 milhões para a União Europeia no ano passado, totalizando 118,7 mil toneladas.

Já as exportações de carne bovina somaram cerca de US$ 10,2 milhões, correspondentes a aproximadamente 1,4 mil toneladas.

Os números têm como base dados do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura e Pecuária.

A restrição europeia começou a valer nesta quinta-feira, 3 de setembro, e envolve diferentes produtos de origem animal, entre eles carnes de frango e bovina, ovos, mel e tripas utilizadas pela indústria alimentícia.

No Paraná, a maior preocupação está concentrada na avicultura. O Estado ocupa posição de destaque nacional na produção e exportação de carne de frango e mantém relações comerciais com dezenas de países.

No primeiro semestre de 2026, o Paraná já havia exportado aproximadamente US$ 224 milhões em carne de frango para países da União Europeia, correspondentes a 78,7 mil toneladas.

No mesmo período, as vendas de carne bovina ao bloco somaram cerca de US$ 4,6 milhões, com 643 toneladas exportadas.

Segundo o Sistema FAEP, a União Europeia representa aproximadamente 5% do mercado externo de carnes do Paraná.

A entidade afirma que também existe preocupação com possíveis reflexos indiretos em outros mercados internacionais, já que alguns países utilizam exigências sanitárias europeias como referência para suas próprias regras de importação.

O Sistema FAEP informou ainda que encaminhou solicitação ao Ministério da Agricultura e Pecuária cobrando medidas para a retomada das exportações.

A entidade destaca que o Paraná possui reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação desde 2021.

Auditorias conduzidas por técnicos europeus estão sendo realizadas em estruturas brasileiras de produção e fiscalização. A expectativa do setor produtivo é que as avaliações permitam demonstrar o cumprimento das exigências sanitárias e contribuam para a retomada das exportações.

O impacto econômico estimado reforça a preocupação do agronegócio paranaense, especialmente porque a produção de proteína animal possui forte participação na economia e nas exportações do Estado.

Fonte das informações: Sistema FAEP / Agrostat — Ministério da Agricultura e Pecuária

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