Viva Maria, da Rádio Nacional, presta serviço a mulheres há 45 anos
Segunda-feira, 14 de setembro. Neste mesmo dia, em 1981, a jornalista Mara Régia di Perna, de 30 anos de idade, estava ansiosa e com o “coração descompassado”. Seria âncora pela primeira vez em um programa que criou e com que sonhou, voltad

Segunda-feira, 14 de setembro. Neste mesmo dia, em 1981, a jornalista Mara Régia di Perna, de 30 anos de idade, estava ansiosa e com o “coração descompassado”. Seria âncora pela primeira vez em um programa que criou e com que sonhou, voltado aos direitos sociais das mulheres, o Viva Maria , da Rádio Nacional . “Eu estava em uma tremedeira e rouca. Sabia da responsabilidade que iria significar”, relembra a radialista, 45 anos depois. • Voz das mulheres da floresta, Mara Régia é convidada do DR com Demori. • Jornalista da EBC, Mara Régia é indicada ao Prêmio Mulher Imprensa. • “O rádio é o ar que eu respiro”, diz a jornalista Mara Régia à TV Brasil . A Rádio Nacional , da Empresa Brasil de Comunicação , exibe a partir de hoje uma série de 14 podcasts com a incrível história do programa que se tornou referência internacional de informação sobre cidadania, gênero e direitos humanos. Nesses 45 anos, foram veiculadas 8,2 mil edições pelas emissoras da EBC. Os resultados do programa atraíram também a atenção de pesquisadores de pós-graduação. Há pelo menos 30 estudos sobre o Viva Maria. “O programa nasceu em uma década decisiva para a cidadania das mulheres do Brasil, particularmente com a promulgação da Constituição”, explica Mara. Inclusive, ela participou da divulgação da Carta das Mulheres aos Constituintes – documento histórico entregue em 27 de março de 1987 com reivindicações dos movimentos feministas brasileiros por direitos civis, políticos e sociais. “Toda essa articulação feita através do Fórum das Mulheres do Distrito Federal nasceu no auditório da Rádio Nacional com a força do Viva Maria”, recorda. Ela lembra decorado o anúncio do programa: “Quando entrar setembro, as Marias haverão de consolidar seu espaço na comunicação brasileira através de um programa que chega para fazer com que você seja ouvida nas suas reivindicações”. Mercado de trabalho para mulheres, direitos sociais, saúde, educação. Os temas eram variados e passaram a ganhar repercussão de acordo com a participação dos ouvintes, sobretudo, das ouvintes, por telefone ou cartas. Aos poucos, o tema do enfrentamento à violência contra a mulher passou a ocupar espaço especial no programa. Uma inspiração surgiu da própria história de vida. A mãe de Mara, Yolanda, foi vítima de violência doméstica nas mãos do pai, que era dependente de álcool. Isso revoltava a jornalista, que nasceu e se criou no Rio de Janeiro. Na vida adulta, a radialista mudou-se para Brasília, onde cursou jornalismo e publicidade. Ela chegou a morar dois anos em Londres (Inglaterra) onde também buscou aperfeiçoamento nas temáticas relacionadas a gênero. “Pensei que deveria fazer algo para as mulheres não sofrerem o que minha mãe estava sofrendo.” As pressões vindas do Viva Maria no dia a dia foram fundamentais para implementação da primeira delegacia especial de atendimento à mulher em Brasília, em 1986. “Nosso trabalho na rádio ficou reconhecido como um espaço de cidadania.” Com informações da Agência Brasil.
Fonte: Agência Brasil / EBC

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