Atestados médicos caem 30% nas UPAs de Curitiba; mais de 233 mil documentos deixaram de ser emitidos em um ano
Balanço da Secretaria Municipal da Saúde aponta redução também nos atendimentos de urgência. Prefeitura relaciona os resultados à campanha Atestado Responsável.

As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Curitiba registraram uma redução de 30% na emissão de atestados médicos após um ano da implantação da campanha Atestado Responsável. O balanço foi divulgado pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) na quarta-feira, 28 de outubro de 2026.
Os números mostram que a quantidade de atestados caiu de 776.009 para 542.196, uma diferença de 233.813 documentos. No mesmo período, os atendimentos médicos diminuíram 15,4%, passando de 1.533.681 para 1.297.449.
O levantamento compara períodos de 12 meses equivalentes, considerando as semanas epidemiológicas de outubro de 2024 a outubro de 2026.

Menos atendimentos terminaram com atestado
Além da redução no volume total de documentos, a Prefeitura identificou uma mudança na proporção de consultas que resultaram na emissão de atestados.
Anteriormente, 50,6% dos atendimentos nas UPAs terminavam com a entrega do documento. No período mais recente, essa proporção caiu para 41,8%.
A Secretaria Municipal da Saúde relaciona o resultado à campanha Atestado Responsável, que começou a ser aplicada nas unidades em 20 de outubro de 2025.
A iniciativa informa aos pacientes que o afastamento do trabalho depende de avaliação clínica e indicação médica, buscando evitar pressões sobre os profissionais para a emissão de documentos sem justificativa médica.
Central Saúde Já também registrou redução
Os dados mostram que a mudança não ficou restrita às UPAs.
Na Central Saúde Já Curitiba, serviço que oferece teleatendimento para situações leves de urgência, os atendimentos médicos caíram 18,8%, de 179.174 para 145.558.
A emissão de atestados nesse serviço diminuiu aproximadamente 27%, passando de 106.348 para 76.588 documentos.
Nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), os atendimentos tiveram pequeno crescimento, de 0,98%, enquanto os atestados emitidos apresentaram redução de 9%.
O que muda para os pacientes?
A Prefeitura afirma que a campanha busca reforçar a autonomia dos médicos para decidir quando um atestado é necessário.
Isso não significa que pacientes com doenças que justifiquem afastamento do trabalho tenham perdido o direito à avaliação para emissão do documento. A decisão continua sendo do profissional responsável pelo atendimento, conforme as condições clínicas identificadas.
A Secretaria da Saúde também orienta a população a procurar o serviço adequado para cada situação.
As UPAs são destinadas principalmente a urgências e emergências. Já as Unidades Básicas de Saúde oferecem acompanhamento e atendimento de problemas que podem ser resolvidos na atenção primária.
Redução exige acompanhamento da qualidade do atendimento
Embora os números demonstrem queda expressiva na emissão de atestados, os dados divulgados não permitem concluir, isoladamente, que houve redução equivalente nas doenças ou nas necessidades de atendimento da população.
Também não comprovam, por si só, que todos os documentos que deixaram de ser emitidos seriam desnecessários.
O acompanhamento de indicadores como tempo de espera, acesso às consultas e evolução dos pacientes é importante para avaliar os efeitos da reorganização dos serviços.
A Prefeitura considera que os resultados mostram uma mudança no uso da rede de saúde e pretende manter as orientações sobre a emissão responsável de atestados médicos em Curitiba.
Fonte das informações: Prefeitura de Curitiba / Secretaria Municipal da Saúde (SMS)

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