Após novos alagamentos, Curitiba busca apoio do BNDES para projetos de prevenção de enchentes
Município negocia participação no programa Cidades Resilientes, que poderá apoiar estudos de drenagem, recuperação ambiental e intervenções urbanas em áreas vulneráveis.

Após episódios recentes de chuvas fortes e alagamentos em Curitiba, a Prefeitura iniciou uma nova etapa de articulação com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para estruturar projetos de prevenção de enchentes e adaptação às mudanças climáticas.
A iniciativa foi divulgada na quarta-feira, 28 de outubro de 2026, após uma missão técnica realizada na capital por representantes do banco e do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).
O município pretende aderir ao programa BNDES Cidades Resilientes, que oferece apoio técnico para identificar riscos, desenvolver soluções urbanísticas e estudar possibilidades de financiamento de obras.
Equipes visitaram regiões atingidas por alagamentos
Na segunda-feira (26), representantes do BNDES conheceram projetos municipais e as condições do programa. Na terça-feira (27), os técnicos visitaram áreas onde a Prefeitura planeja intervenções.
Entre os locais avaliados estão a porção sul da bacia do Rio Belém, o bairro Umbará e as obras do Bairro Novo do Caximba.
As visitas tiveram como objetivo conhecer as características urbanas dessas regiões, a ocupação do solo e os problemas associados a enchentes e alagamentos.
A Prefeitura apresentou iniciativas como o Eco Distrito do Belém, a Reserva Hídrica do Futuro e projetos de urbanização de áreas ambientalmente vulneráveis.
Projeto no Rio Belém prevê mudanças na ocupação das margens
Uma das propostas apresentadas é o Eco Distrito do Belém, planejado para a porção sul da bacia hidrográfica.
O projeto prevê reassentamento de moradores e comerciantes que atualmente ocupam faixas de preservação ambiental, além da implantação de parque linear, ciclovias, paisagismo e melhorias urbanísticas.
A administração municipal considera que a recuperação dessas áreas pode contribuir para reduzir os impactos das enchentes e reorganizar a ocupação próxima ao rio.
Entretanto, o comunicado divulgado nesta semana não estabelece um cronograma definitivo para as intervenções nem apresenta o número atualizado de famílias que seriam reassentadas.
Umbará e Caximba também integram os estudos
No Umbará, a Prefeitura pretende conciliar a preservação ambiental com o desenvolvimento socioeconômico da região.
Os representantes do banco também conheceram a Reserva Hídrica do Futuro, projeto que prevê conectar antigas cavas de extração de areia ao longo de aproximadamente 26 quilômetros do Rio Iguaçu, transformando esses espaços em reservatórios de água.
No Caximba, a comitiva visitou unidades habitacionais do Bairro Novo do Caximba, iniciativa de adaptação climática financiada pela Agência Francesa de Desenvolvimento.
Quando as obras contra enchentes começarão?
Apesar das negociações, a Prefeitura ainda não anunciou a aprovação de novos recursos do BNDES para executar as propostas.
A previsão é formalizar até o fim de 2026 a manifestação de interesse para contratação dos estudos técnicos necessários.
Somente depois dessa etapa poderão ser definidos os projetos, os investimentos, as fontes de financiamento e os respectivos cronogramas.
Moradores aguardam soluções concretas
A discussão ocorre em uma cidade onde famílias convivem com problemas de alagamento em diferentes bairros, incluindo regiões da Cidade Industrial de Curitiba.
Embora a negociação com o BNDES represente uma possibilidade de ampliar o planejamento contra eventos climáticos extremos, ainda não existe confirmação de que os recursos contemplarão obras específicas nas comunidades mais afetadas.
A população continuará dependendo de medidas de manutenção da drenagem, prevenção de riscos e atendimento emergencial enquanto os novos projetos não avançarem.
Para os moradores, o principal resultado esperado será a transformação dos estudos em intervenções efetivas, acompanhadas de prazos, investimentos e transparência sobre as áreas beneficiadas.
Fonte das informações: Prefeitura de Curitiba / Ippuc / BNDES

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