Curitiba testa “grama líquida” nas margens do Rio Vila Formosa para reduzir erosão
Projeto-piloto no Fazendinha utiliza sementes lançadas sob pressão para criar cobertura vegetal e tentar impedir que terra e sedimentos voltem ao leito do rio.

A Prefeitura de Curitiba iniciou um projeto-piloto para testar uma técnica conhecida como hidrossemeadura, popularmente chamada de “grama líquida”, na proteção das margens de rios. A primeira experiência está sendo realizada no Rio Vila Formosa, no bairro Fazendinha, em um trecho próximo ao encontro do curso d’água com o Rio Barigui. O método utiliza um equipamento que lança sob pressão uma mistura composta por sementes, água, fertilizantes, adesivos e matéria orgânica diretamente sobre o solo. A proposta é acelerar a formação de uma cobertura vegetal que ajude a manter a terra no lugar e reduza a quantidade de sedimentos carregados para dentro do rio durante períodos de chuva. O teste ocupa aproximadamente 200 metros das margens do Rio Vila Formosa, na região da Rua Adorides de Jesus Cruz Camargo, no Fazendinha. A aplicação foi realizada entre quarta-feira (16) e esta quinta-feira (17). Nos próximos meses, equipes do Departamento de Pontes e Drenagem da Secretaria Municipal de Obras Públicas vão acompanhar o desenvolvimento das plantas. A expectativa técnica apresentada pela Prefeitura é que a germinação comece ao longo dos próximos 15 dias. Em aproximadamente 90 dias, a vegetação poderá formar uma cobertura mais significativa no talude. Somente o acompanhamento do local permitirá verificar se o resultado esperado será alcançado. Em vez de utilizar apenas grama convencional, o projeto emprega diferentes espécies de gramíneas escolhidas pela capacidade de desenvolver raízes profundas, que podem alcançar aproximadamente 2 a 5 metros. A intenção é que esse sistema natural contribua para estabilizar as margens e diminuir a erosão provocada pela água. O teste também está relacionado ao trabalho de manutenção dos rios da capital. Conforme balanço municipal, desde janeiro de 2025 foram executadas cerca de 350 intervenções de limpeza, desobstrução e desassoreamento, alcançando mais de 106 quilômetros de cursos d’água. Parte do desafio é impedir que terra e sedimentos retornem rapidamente aos trechos que passaram por manutenção. A hidrossemeadura já é utilizada em encostas, mas sua aplicação diretamente nas margens de cursos d’água ainda é menos comum. Por isso, Curitiba vai observar fatores como eficiência na contenção do solo, durabilidade e custos antes de decidir se a técnica poderá ser levada para outros rios e córregos. Por enquanto, portanto, trata-se de uma experiência, e não de uma solução já implantada em toda a cidade. Caso os resultados no Rio Vila Formosa sejam considerados satisfatórios, a Secretaria Municipal de Obras Públicas poderá avaliar a ampliação da técnica para outros pontos de Curitiba.

Fonte: Prefeitura de Curitiba / Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop)

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