Curitiba, Paraná
Saúde

Curitiba reúne 326 profissionais para melhorar atendimento a crianças e adolescentes com autismo

Encontro realizado no Parque Barigui discutiu neurodiversidade, acolhimento familiar e preparação de profissionais para garantir atendimento mais inclusivo.

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Participantes acompanham seminário sobre neurodiversidade e inclusão de crianças e adolescentes no Salão de Atos do Parque Barigui, em Curitiba.
Seminário realizado no Parque Barigui reuniu 326 participantes para discutir estratégias de inclusão e atendimento de crianças e adolescentes neurodivergentes em Curitiba. — Crédito: Pedro Zarugner / Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano — Prefeitura de Curitiba.

Curitiba reúne 326 profissionais para melhorar atendimento a crianças e adolescentes com autismo

A necessidade de ampliar o acolhimento e melhorar os serviços destinados a crianças e adolescentes neurodivergentes foi o principal tema de um seminário realizado em Curitiba na sexta-feira (9). O encontro reuniu 326 participantes no Salão de Atos do Parque Barigui, com representantes das áreas de saúde, educação, assistência social e instituições que trabalham com a proteção da infância.

O evento, chamado II Seminário pelo Desenvolvimento Humano desde a Infância, teve como tema "Neurodiversidade em Diálogo" e buscou aproximar profissionais que atuam diretamente no atendimento de crianças e adolescentes com diferentes necessidades de suporte.

A iniciativa foi organizada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano, por meio do Departamento da Criança, Adolescente e Migrante, em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comtiba).

Curitiba tem milhares de moradores com autismo

Segundo dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), citados pela Prefeitura, Curitiba registrava 24.998 moradores com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Desse total, 8.361 tinham entre zero e 14 anos.

Na rede municipal de educação, 4.216 estudantes com TEA recebem atendimento, além de outros 79 que apresentam diagnóstico de autismo associado a altas habilidades ou superdotação.

Na saúde pública municipal, aproximadamente 2 mil crianças com TEA são acompanhadas pelo Ambulatório Encantar e por clínicas contratadas.

Os números reforçam a importância de preparar os serviços públicos para atender pessoas com diferentes necessidades de comunicação, aprendizagem e interação social.

Formação ajuda a melhorar o acolhimento

Durante o seminário, especialistas discutiram situações enfrentadas por famílias e profissionais no cotidiano.

Os debates abordaram o desenvolvimento infantil, a participação da família, o manejo de situações de crise e estratégias para tornar os ambientes mais acessíveis.

Um dos exemplos apresentados foi o trabalho da Central Integrada de Apoio Familiar (Ciaf), que atende 27 crianças, incluindo três com diagnóstico de TEA.

Na instituição, as atividades são organizadas para oferecer alternativas quando uma criança apresenta desconforto com barulho ou outros estímulos do ambiente.

A proposta é respeitar as necessidades individuais e permitir que as crianças participem das atividades de maneira adequada ao seu perfil.

Especialistas discutiram desenvolvimento e inclusão

Entre as profissionais convidadas estavam a neurologista Fernanda Wagner Fredo dos Santos, a professora e psicóloga Maria de Fátima Minetto, da Universidade Federal do Paraná, e a especialista em educação Mariana Minetto.

As palestras trataram de neurodesenvolvimento, relações familiares, neurodiversidade e estratégias de atendimento.

O encontro também contou com uma mesa-redonda formada por profissionais de psicologia e uma representante de famílias de crianças neurodivergentes.

A troca de experiências teve como objetivo aproximar o conhecimento técnico dos desafios encontrados nos serviços de atendimento.

Inclusão exige ações em diferentes áreas

O Transtorno do Espectro Autista é uma das condições frequentemente incluídas nas discussões sobre neurodivergência.

O termo também pode abranger condições como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e diferentes perfis de aprendizagem e desenvolvimento.

As necessidades de apoio variam de pessoa para pessoa, por isso o atendimento deve considerar características individuais e evitar soluções padronizadas para todos.

Nas escolas, por exemplo, adaptações de ambiente, comunicação e atividades podem contribuir para melhorar a participação dos estudantes.

Na saúde, a articulação entre profissionais e famílias é importante para organizar o acompanhamento conforme as necessidades identificadas.

Prefeitura destaca proteção dos direitos

O secretário municipal de Desenvolvimento Humano, Carlos Eduardo Pijak Júnior, participou da abertura do seminário e destacou a importância da atualização profissional para garantir o respeito aos direitos de crianças e adolescentes.

A formação reuniu representantes das secretarias municipais da Saúde e Educação, da Fundação de Ação Social e de organizações da sociedade civil.

O encontro não representou o anúncio de novas vagas de atendimento ou a criação de serviços, mas uma iniciativa de capacitação e integração entre profissionais.

O desafio para Curitiba é transformar o conhecimento compartilhado em práticas de acolhimento que facilitem o acesso das famílias aos serviços e promovam a inclusão das crianças e adolescentes neurodivergentes.

Fonte: Prefeitura Municipal de Curitiba — Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH) e Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom).

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