Histórias de quem escolheu ler — Gustavo Scarpa (Atlético-MG), uma fazenda e muitos livros
Desde as primeiras marcas entalhadas nas paredes das cavernas, a humanidade encontrou maneiras de registrar ideias, histórias e memórias.

Desde as primeiras marcas entalhadas nas paredes das cavernas, a humanidade encontrou maneiras de registrar ideias, histórias e memórias. Vieram os desenhos, os símbolos, os alfabetos, a escrita em diferentes suportes e, séculos depois, a imprensa. O que começou nas pedras ganhou o papel e SE espalhou pelo mundo. Hoje, em meio a telas que disputam a atenção a cada segundo, ainda há quem escolha virar uma página em vez de deslizar o dedo pela tela. Entre essas pessoas está um jogador de futebol conhecido por milhões de brasileiros: Gustavo Scarpa, meio-campista do Atlético Mineiro. O próprio jogador reconhece que a leitura funciona, para ele, quase como uma pausa diante da velocidade da vida moderna. “A leitura consegue dar uma pausa nisso tudo”, afirma Scarpa, em entrevista ao Brasil de Fato MG , ao falar sobre a rotina marcada por conteúdos rápidos, vídeos curtos e pelo hábito de passar a tela do celular sem necessariamente chegar ao fim de alguma coisa. Gustavo Scarpa, nas suas redes sociais, indicando livros – Reprodução/YouTube/@scarpinha A relação do jogador com os livros, no entanto, não começou na infância. Scarpa conta ao que, antes de 2019, havia lido apenas a biografia de Steve Jobs, ainda na sétima série. Foi naquele ano, por incentivo de Pedro Jatene, então estagiário do Palmeiras, que a leitura entrou de vez em sua rotina. A ideia era simples: Scarpa ganharia livros de acordo com os gols e as assistências que fizesse em campo. Antes mesmo de a aposta começar, ganhou O Médico e o Monstro . Depois vieram Kafka, Dostoiévski, Machado de Assis e livros cristãos. “Quando percebi, já tinha entrado de vez nessa vida de leitor”, conta. A história poderia ter ficado apenas entre o jogador e suas estantes. Mas, como acontece muitas vezes quando um hábito pessoal encontra uma comunidade, a leitura ganhou novos leitores. As recomendações feitas por Scarpa começaram a chegar aos torcedores, e a ideia acabou furando a bolha do futebol. Foi assim que nasceu a Galeitura , clube de leitura criado por torcedores a partir do interesse pelas indicações do jogador. Atualmente, o projeto reúne quase 100 mil seguidores nas redes sociais. Nesta quinta-feira (24), o Atlético-MG lançou a camisa oficial da iniciativa. Scarpa diz que sabia que era uma pessoa influente, mas não imaginava que uma indicação de livro pudesse ganhar tamanha dimensão. “Fico muito feliz em receber mensagens positivas de fãs que voltaram a ler por causa desse incentivo”, afirma. “Nunca passou pela minha cabeça que a torcida fosse comprar a ideia de criar um clube do livro”. A influência chegou até Daphine Drumond, estudante de 18 anos da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A leitura já fazia parte de sua vida por influência da mãe, mas a Galeitura abriu novas portas.
Fonte: BRASIL DE FATO


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