Curitiba, Paraná
Cultura

Peça inspirada em Ailton Krenak estreia nesta quinta-feira na CAIXA Cultural Curitiba

Espetáculo protagonizado por Yumo Apurinã aborda ancestralidade, identidade indígena e relação com o território em temporada até 4 de outubro.

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Yumo Apurinã durante apresentação do espetáculo Ideias para adiar o fim do mundo.
Yumo Apurinã em cena no espetáculo “Ideias para adiar o fim do mundo”, em imagem de divulgação da temporada. — Crédito: Natália Tupi/Divulgação

Curitiba recebe a partir desta quinta-feira (24) o espetáculo “Ideias para adiar o fim do mundo”, montagem inspirada na obra do escritor e líder indígena Ailton Krenak. A temporada será realizada na CAIXA Cultural Curitiba até 4 de outubro, com apresentações de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h.

Com direção de João Bernardo Caldeira e atuação de Yumo Apurinã, a peça acompanha a trajetória de um homem indígena que tenta reconstruir os vínculos com sua ancestralidade depois de ter sido evangelizado ainda na infância. Em cena, Yumo interpreta a si mesmo e transforma experiências pessoais em ponto de partida para discutir identidade, memória, pertencimento e os efeitos históricos da colonização sobre os povos originários.

A montagem também dialoga com a trajetória de Ailton Krenak e com temas presentes em sua obra. Um dos episódios recuperados no palco é a participação de Krenak na Assembleia Nacional Constituinte de 1987, quando ele pintou o rosto de preto durante discurso no plenário em protesto contra retrocessos nos direitos indígenas. A mobilização daquele período antecedeu a Constituição de 1988, que reconheceu direitos originários dos povos indígenas sobre as terras tradicionalmente ocupadas.

Ao aproximar a experiência de Yumo Apurinã do pensamento de Krenak, o espetáculo discute ainda os estereótipos que continuam sendo impostos a pessoas indígenas no Brasil. A dramaturgia questiona ideias rígidas sobre identidade e mostra como processos de apagamento cultural podem atravessar histórias individuais e coletivas.

A peça também relaciona ancestralidade, território e crise climática. A proposta é convidar o público a observar de outra forma a relação entre sociedade e natureza, colocando no centro da narrativa perspectivas indígenas sobre modos de vida, memória e preservação de saberes.

A temporada em Curitiba terá duração de 75 minutos e classificação indicativa de 12 anos. As sessões dos dias 25 de setembro e 3 de outubro contarão com intérprete de Libras e, de acordo com a programação divulgada, haverá bate-papo com o elenco após essas apresentações.

Os ingressos custam R$ 20 a inteira e R$ 10 para clientes CAIXA e públicos com direito à meia-entrada prevista em lei. As entradas podem ser compradas na bilheteria da CAIXA Cultural Curitiba ou pela plataforma Bilheteria Digital. A capacidade informada para o teatro é de 125 lugares, incluindo dois espaços destinados a cadeirantes.

A CAIXA Cultural Curitiba fica na Rua Conselheiro Laurindo, 280, no Centro. A temporada começa em 24 de setembro e segue até 4 de outubro, oferecendo ao público curitibano uma montagem que utiliza a experiência pessoal de seu protagonista para ampliar o debate sobre identidade indígena, memória histórica e relação com o território.

Fonte: CAIXA Cultural / Bilheteria Digital

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