Pais e professores cobram respostas da Prefeitura de Curitiba sobre possível fechamento de turmas em 11 escolas municipais
Secretaria Municipal da Educação confirma estudos sobre a oferta do 6º ao 9º ano a partir de 2027, mas nega decisão formal. Famílias temem transferências, perda de projetos pedagógicos e mudanças na rotina dos estudantes.

A possibilidade de mudanças profundas no funcionamento de 11 escolas municipais de Curitiba tem provocado preocupação entre pais, professores e representantes das comunidades escolares. No centro da discussão está o futuro das turmas de 6º ao 9º ano do ensino fundamental, atualmente oferecidas em unidades municipais que atendem diferentes regiões da capital.
A Secretaria Municipal da Educação (SME) confirmou que realiza estudos para reorganizar essa etapa do ensino. Entretanto, a administração municipal afirma que ainda não existe decisão formal sobre redução, encerramento ou transferência das turmas para a rede estadual.
A posição oficial contrasta com denúncias apresentadas pelo Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (SISMMAC), segundo o qual direções escolares receberam orientações para analisar o encerramento de novas turmas de 6º ano em 2027.
Famílias temem perder vagas nas escolas onde os filhos já estudam
A principal preocupação é que crianças que atualmente frequentam o 5º ano não consigam continuar na mesma escola em 2027.
Segundo relatos reunidos em reportagem publicada pelo Plural, famílias afirmam que a possibilidade de mudança não foi discutida de maneira transparente com os responsáveis. Há receio de que a confirmação seja comunicada somente durante o processo de matrículas e rematrículas.
O modelo apontado nas denúncias prevê uma redução gradual: as escolas deixariam de abrir turmas de 6º ano em 2027 e, nos anos seguintes, encerrariam progressivamente as demais séries até deixar de oferecer os anos finais do ensino fundamental.
Esse cronograma, no entanto, não foi confirmado formalmente pela Prefeitura.
Prefeitura confirma estudos, mas nega decisão definitiva
A discussão chegou à Câmara Municipal de Curitiba por meio do Pedido de Informação nº 062.01738/2026, apresentado em 5 de outubro pela vereadora Camilla Gonda.
O requerimento pediu esclarecimentos sobre as escolas envolvidas, o número de estudantes e professores afetados, os critérios utilizados para uma eventual reorganização, o calendário de mudanças e a possibilidade de transferência dos alunos para estabelecimentos estaduais.
Em resposta datada de 19 de outubro, a Secretaria Municipal da Educação informou que analisa a organização da oferta dos anos finais do ensino fundamental, mas declarou que nenhuma decisão administrativa havia sido formalizada.
A manifestação não apresentou uma relação detalhada das unidades, dos estudantes que poderiam ser transferidos nem das alternativas de atendimento consideradas.
Escolas da periferia estão entre as unidades apontadas
Entre as unidades mencionadas no debate estão as escolas municipais Albert Schweitzer, Papa João XXIII, São Miguel, Cândido Portinari, Erasmo Pilotto, Herley Mehl, Julia Amália Di Lenna, Maria Clara Brandão Tesserolli, Prefeito Omar Sabbag, Novo CAIC Guilherme Lacerda Braga Sobrinho e a unidade de ensino Durival Britto e Silva.
São estabelecimentos que possuem importância para suas comunidades e desenvolvem atividades educacionais além das aulas regulares.
Para as famílias, uma eventual transferência de estudantes também pode significar mudanças de trajeto, dificuldades no transporte e rompimento de vínculos com professores e equipes pedagógicas.
A preocupação é especialmente relevante para estudantes com deficiência, autismo ou outras necessidades educacionais específicas, que podem depender de acompanhamento especializado e de adaptações construídas durante sua trajetória escolar.
Sindicato alerta para consequências entre professores
O SISMMAC estima que mais de 300 profissionais do magistério poderão ser atingidos caso a oferta dos anos finais seja encerrada.
A entidade afirma que a mudança poderá provocar remanejamentos, alterações na organização do trabalho e incertezas sobre a continuidade de projetos pedagógicos.
Em reunião realizada em 24 de setembro, representantes da Prefeitura informaram ao sindicato que a Secretaria ainda estudava diferentes possibilidades e que não havia definição sobre o encerramento da oferta ou uma eventual transferência para a rede estadual.
O sindicato manteve posição contrária ao fechamento das turmas e passou a organizar mobilizações com professores e comunidades escolares.
Quem vai receber os estudantes se as turmas forem encerradas?
Uma das questões que ainda exigem esclarecimento é a capacidade das escolas estaduais para receber alunos que deixariam de estudar nas unidades municipais.
Também não foi divulgado um plano de transferência com a identificação dos estabelecimentos que receberiam esses estudantes, a distância entre as escolas e as residências ou as condições de transporte.
Sem essas informações, famílias não conseguem avaliar como uma eventual reorganização afetaria a rotina das crianças.
Outro ponto de preocupação é a continuidade de atividades de robótica, cultura, esportes, iniciação científica e atendimento educacional especializado desenvolvidas nas unidades.
Comunidade cobra transparência antes das matrículas de 2027
Com a aproximação do calendário escolar do próximo ano, aumenta a necessidade de informações concretas.
A comunidade escolar quer saber se haverá abertura de turmas de 6º ano, quais escolas permanecerão oferecendo os anos finais e se os responsáveis serão consultados antes de qualquer alteração.
A definição também envolve a organização dos profissionais, o planejamento pedagógico e a garantia de continuidade do atendimento aos estudantes.
Enquanto a Prefeitura sustenta que os estudos ainda estão em andamento, o sindicato afirma que existem sinais de preparação para uma mudança gradual.
A divulgação dos estudos, dos critérios utilizados e de um eventual cronograma será fundamental para esclarecer o futuro das 11 escolas e permitir que as famílias participem das discussões sobre a educação de seus filhos.
Fonte das informações: SISMMAC; Prefeitura de Curitiba; Câmara Municipal

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