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Política

China rejeita sanções dos EUA contra companhias aéreas do Irã

Pequim afirma que medidas americanas contra o setor aéreo iraniano não têm respaldo do Conselho de Segurança da ONU; restrições ampliam pressão sobre empresas que mantêm negócios com as companhias sancionadas.

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Porta-voz chinês Guo Jiakun durante coletiva em Pequim sobre as sanções dos Estados Unidos contra companhias aéreas iranianas.
Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, durante coletiva nesta quarta-feira (23), quando Pequim criticou as sanções americanas contra a aviação iraniana.Crédito: Ministério das Relações Exteriores da China

A China reagiu nesta quarta-feira (23) à ampliação da pressão econômica dos Estados Unidos sobre o setor de aviação iraniano. Durante entrevista coletiva em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, afirmou que seu país se opõe firmemente às sanções americanas aplicadas contra empresas e companhias aéreas ligadas ao Irã. A manifestação ocorreu depois que um jornalista da AFP perguntou se a China continuaria recebendo voos procedentes do Irã diante das ameaças americanas de punição a empresas e países que prestassem serviços às companhias sancionadas. Guo não respondeu diretamente se os pousos continuarão, mas afirmou que a posição de Pequim é consistente e classificou as medidas como sanções unilaterais sem mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Essa é a posição oficial apresentada pelo governo chinês. A pressão sobre a aviação iraniana faz parte da chamada Operation Economic Outcast, campanha anunciada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos em 24 de agosto. O programa ampliou o risco de sanções americanas em cinco setores relacionados à economia iraniana: ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo. Em 8 de setembro, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) anunciou sanções contra 36 alvos ligados ao setor aéreo iraniano. A lista incluiu 27 companhias aéreas que Washington identificou como empresas ativas no país, além de intermediários e prestadores de serviços em outros países. O governo dos Estados Unidos afirma que algumas dessas empresas auxiliam atividades militares iranianas, incluindo transporte de pessoal, armamentos e aquisição de aeronaves e componentes. Essas acusações fazem parte da justificativa apresentada pelo Departamento do Tesouro para as sanções. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, também advertiu que empresas estrangeiras que prestarem determinados serviços às companhias iranianas sancionadas podem sofrer restrições no sistema financeiro dos Estados Unidos. A estratégia busca pressionar não apenas as empresas do Irã, mas também redes internacionais de vendas, transporte de cargas, abastecimento e serviços aeroportuários. Apesar da pressão, nem todas as ligações internacionais foram interrompidas nesta quarta-feira. Dados de rastreamento de voos citados pela imprensa internacional indicaram que um avião da Mahan Air pousou em Guangzhou, na China, enquanto outras rotas iranianas enfrentavam suspensões ou cancelamentos em diferentes países. A posição chinesa evidencia uma divergência entre Pequim e Washington sobre o alcance das sanções americanas. Os Estados Unidos defendem as medidas como instrumento de pressão sobre Teerã, enquanto a China sustenta que sanções sem autorização do Conselho de Segurança da ONU não devem ser impostas unilateralmente. A situação da aviação iraniana permanece em evolução, já que decisões de governos, aeroportos e empresas podem modificar a disponibilidade de rotas internacionais nos próximos dias.

Fonte: Ministério das Relações Exteriores da China / Departamento do Tesouro dos Estados Unidos

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