Curitiba, Paraná
Justiça

Golpe do falso advogado faz vítimas no Paraná; veja como identificar mensagens e evitar prejuízos

Criminosos usam nomes de advogados, dados de processos judiciais e mensagens pelo WhatsApp para exigir pagamentos; OAB Paraná orienta população a confirmar contatos antes de transferir dinheiro.

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Celular com alerta sobre golpe do falso advogado ao lado de um martelo da Justiça e documentos, ilustrando fraudes financeiras.
Golpe do falso advogado utiliza mensagens fraudulentas e informações de processos judiciais para enganar vítimas e solicitar transferências bancárias. — Crédito: Imagem fornecida para edição / Notícias de Curitiba.

Golpe do falso advogado faz vítimas no Paraná; veja como identificar mensagens e evitar prejuízos

Uma mensagem inesperada no WhatsApp, aparentemente enviada por um advogado, pode ser o início de um golpe financeiro. Criminosos estão utilizando nomes de profissionais da advocacia, fotografias, documentos falsificados e informações verdadeiras sobre processos judiciais para enganar pessoas que aguardam decisões da Justiça.

A fraude, conhecida como golpe do falso advogado, tem provocado prejuízos no Paraná e levado instituições como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) a reforçar as orientações de segurança.

Segundo balanço divulgado pela OAB Paraná em julho, foram registrados 2.677 casos de tentativas ou ocorrências da fraude entre janeiro e junho de 2026. Desse total, 594 resultaram em prejuízo financeiro, enquanto 2.083 foram interrompidos antes que as vítimas perdessem dinheiro.

Como funciona o golpe?

A abordagem costuma começar com uma mensagem enviada por WhatsApp ou outro aplicativo.

O criminoso se apresenta como advogado, funcionário de um escritório ou representante de uma instituição ligada à Justiça.

Para convencer a vítima, pode informar corretamente o nome das partes, detalhes de um processo judicial e até o valor de uma ação.

Em seguida, afirma que existe uma quantia disponível para recebimento, mas que é necessário pagar uma taxa, imposto ou despesa antecipada para liberar o dinheiro.

O objetivo é fazer a pessoa realizar uma transferência, geralmente por Pix, para uma conta controlada pelos golpistas.

Informações verdadeiras não garantem que o contato seja legítimo

Um dos fatores que tornam essa fraude perigosa é a utilização de informações reais.

Dados de processos que podem ser consultados publicamente são utilizados para tornar as mensagens mais convincentes.

Em alguns casos, os criminosos também copiam fotografias e a identidade visual de escritórios de advocacia.

A OAB Paraná alerta que ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas para produzir imagens, mensagens e áudios fraudulentos.

Por isso, receber informações corretas sobre um processo não significa que a pessoa que entrou em contato seja realmente o advogado responsável.

Como saber se a mensagem é verdadeira?

A principal recomendação é confirmar qualquer pedido diretamente com o profissional que acompanha o processo.

Caso receba mensagem de um número desconhecido, o cliente deve procurar o telefone ou outro canal de contato que já utilizava anteriormente.

Não é seguro confirmar a identidade de um suposto advogado apenas pelo número informado na própria mensagem suspeita.

Também é importante desconfiar de pedidos de pagamento imediato, cobranças inesperadas e transferências para contas de terceiros.

Se houver dúvidas sobre a existência de valores a receber, a informação deverá ser esclarecida diretamente com o advogado contratado.

Operação policial revelou prejuízo milionário

A gravidade do problema ficou evidente em uma operação realizada pela Polícia Civil do Paraná no dia 8 de outubro.

A investigação identificou um esquema que provocou prejuízo de aproximadamente R$ 2 milhões a uma vítima idosa de Curitiba.

Durante a operação, realizada em cidades do Ceará, dez pessoas foram presas no balanço divulgado pela polícia.

Os suspeitos são investigados por utilizar identidades falsas e informações sobre processos judiciais para exigir pagamentos das vítimas.

O caso reforça a importância de confirmar a autenticidade de qualquer contato antes de realizar transferências financeiras.

O que fazer se você já enviou dinheiro?

Quem suspeitar que foi vítima deve entrar em contato imediatamente com a instituição financeira e informar a possível fraude.

Em operações realizadas por Pix, é importante solicitar a análise das medidas disponíveis para contestação da transação, incluindo o Mecanismo Especial de Devolução (MED), quando aplicável.

O procedimento não garante a recuperação do dinheiro, mas pode permitir a tentativa de bloqueio e devolução de valores.

A vítima também deve registrar boletim de ocorrência e guardar mensagens, comprovantes de transferência, números de telefone e outros documentos que ajudem na investigação.

Se o criminoso utilizou indevidamente o nome de um advogado, o profissional verdadeiro também deve ser informado.

Como evitar prejuízos

A OAB Paraná recomenda desconfiar de contatos inesperados, especialmente quando existe cobrança urgente para liberar valores judiciais.

O cidadão não deve compartilhar senhas, códigos de autenticação ou dados bancários com pessoas cuja identidade não tenha sido confirmada.

Também é aconselhável evitar links desconhecidos e verificar cuidadosamente os dados do destinatário antes de qualquer transferência.

A orientação mais importante é simples: diante de um pedido suspeito, interrompa a conversa e procure o advogado responsável por um canal previamente conhecido.

A prevenção é essencial para impedir que criminosos utilizem a confiança na Justiça e na advocacia para provocar prejuízos financeiros.

Fonte: Ordem dos Advogados do Brasil — Seccional Paraná (OAB-PR); Polícia Civil do Paraná (PCPR).

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