Mulher relata golpe de R$ 130 mil, mas polícia descobre transferências para site de apostas no Paraná
Investigação em Santa Tereza do Oeste identificou pagamentos via Pix feitos ao longo de meses. Mulher de 39 anos foi indiciada por comunicação falsa de crime, e inquérito seguiu para o Ministério Público.

Mulher relata golpe de R$ 130 mil, mas polícia descobre transferências para site de apostas no Paraná Uma denúncia sobre o suposto desaparecimento de aproximadamente R$ 130 mil de uma conta bancária terminou com o indiciamento da própria comunicante em Santa Tereza do Oeste, no Oeste do Paraná. A Polícia Civil concluiu que os valores não haviam sido retirados em uma única fraude eletrônica, como inicialmente relatado, mas transferidos ao longo de vários meses para uma empresa que operava plataformas de apostas on-line.
A investigada, de 39 anos, foi indiciada por comunicação falsa de crime. O inquérito foi concluído na sexta-feira, 23 de outubro de 2026, e o resultado foi divulgado oficialmente nesta segunda-feira (26). Mulher procurou a delegacia acompanhada do marido O caso começou quando a mulher e o marido compareceram à delegacia para comunicar o desaparecimento do dinheiro.
Na ocasião, ela relatou que os valores teriam sido retirados da conta após acessar um link suspeito pelo telefone celular. A suspeita apresentada era de que os dados bancários tivessem sido comprometidos por criminosos.
A Polícia Civil iniciou a investigação e solicitou informações para verificar como o dinheiro havia saído da conta.
A análise das movimentações mostrou, entretanto, uma sequência de transações diferente da versão inicialmente apresentada. Investigação identificou transferências feitas durante meses Segundo a Polícia Civil, os aproximadamente R$ 130 mil foram movimentados por meio de diversas operações Pix realizadas ao longo de vários meses.
Os valores tinham como destino uma empresa que, no período investigado, estava autorizada a operar plataformas de apostas on-line.
O delegado Emanuel Fernandes Monteiro de Almeida informou que as operações utilizavam mecanismos de autenticação bancária. Para os investigadores, essa característica, somada ao histórico das transferências, não era compatível com o relato de uma retirada repentina decorrente de golpe eletrônico.
A corporação não divulgou a quantidade exata de transações nem os valores individuais enviados à plataforma. Investigada negou ter realizado apostas Durante o interrogatório, a mulher afirmou que não havia realizado apostas.
Ela também alegou sofrer episódios de perda de consciência, nos quais outras pessoas poderiam ter utilizado seu aparelho celular.
De acordo com a Polícia Civil, os elementos reunidos durante o inquérito não sustentaram essa explicação.
A investigação apontou, ainda, que o marido procurou a delegacia acreditando que o casal realmente havia sido vítima de uma fraude bancária.
Não foram divulgadas informações de que ele tivesse conhecimento prévio das transferências identificadas pela polícia. Por que a mulher foi indiciada? Ao concluir a investigação, a Polícia Civil entendeu que havia elementos para indiciar a mulher pelo crime de comunicação falsa de crime.
Esse delito ocorre quando alguém provoca a atuação de uma autoridade ao comunicar uma infração que sabe não ter acontecido.
O indiciamento representa uma conclusão da investigação policial, mas não equivale a condenação. O caso será analisado pelo Ministério Público, que poderá avaliar as medidas judiciais cabíveis. Polícia explica por que não houve indiciamento por crime patrimonial contra o marido A investigação também avaliou a possibilidade de infração patrimonial relacionada aos valores da conta do casal.
Entretanto, a Polícia Civil informou que não indiciou a mulher por esse possível delito em razão da chamada escusa absolutória, prevista no artigo 181, inciso I, do Código Penal.
A regra estabelece uma hipótese de isenção de pena para determinados crimes patrimoniais cometidos entre cônjuges, observadas as condições e exceções da legislação.
Essa decisão não altera o indiciamento por comunicação falsa de crime. Inquérito foi encaminhado ao Ministério Público Com os procedimentos policiais concluídos, a documentação foi remetida ao Ministério Público para análise.
O órgão poderá examinar as provas reunidas, solicitar diligências complementares ou adotar as providências previstas na legislação.
A identidade da investigada não foi divulgada no comunicado oficial.
O caso chama atenção para a importância da análise de registros bancários em investigações sobre supostas fraudes eletrônicas. Neste episódio, foi o histórico de operações Pix que permitiu à polícia identificar divergências entre a denúncia inicial e as movimentações financeiras efetivamente registradas.
Fonte das informações: Polícia Civil do Paraná (PCPR).

Comentários
Deixe sua opinião sobre esta notícia.
Seja o primeiro a comentar