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Trânsito

O que o envelhecimento ensina à política de mobilidade urbana

Por Ana Marcela Ardila Pinto e Elaine Meire Vilela Quando uma cidade nos permite caminhar com autonomia ao envelhecer, ela SE torna mais justa, democrática e segura para todas as pessoas.  Nos últimos anos, acompanh

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O que o envelhecimento ensina à política de mobilidade urbana?Crédito: Travessia em duas etapas no Rio de Janeiro | Crédito: Ana Marcela Ardila

Por Ana Marcela Ardila Pinto e Elaine Meire Vilela Quando uma cidade nos permite caminhar com autonomia ao envelhecer, ela SE torna mais justa, democrática e segura para todas as pessoas.  Nos últimos anos, acompanhar o envelhecimento dos nossos pais mudou também a maneira como observamos as cidades. Ver seus passos mais lentos, o cuidado para não cair e a dificuldade de realizar a pé atividades antes banais levou-nos a compreender melhor o papel da cidade na autonomia das pessoas.   Parte dessas dificuldades decorre do próprio envelhecimento, mas outra parte está nas condições do lugar onde vivem: calçadas descontínuas, travessias inseguras, sinais de trânsito com tempos insuficientes para quem já não consegue caminhar no ritmo previsto pelo semáforo e veículos circulando em velocidades pouco compatíveis com a presença de pedestres.   Apenas 18,8% reside em vias com calçadas livres de obstáculos Para quem caminha devagar, possui alguma deficiência ou menor equilíbrio, pequenos obstáculos podem definir SE um percurso será possível ou não. Justamente quando continuar caminhando é importante para preservar a capacidade funcional e a autonomia, o ambiente urbano pode levar pessoas mais velhas a sair menos de casa e depender mais de automóveis, táxis e acompanhantes.  Essa experiência ocorre em um país que envelhece rapidamente. O Brasil tinha 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, equivalentes a 15,8% da população; em 2010, eram 10,8%. As projeções do IBGE indicam que, em 2070, esse grupo poderá representar 37,8% da população brasileira.  O problema já entrou na política pública O Brasil acumulou avanços importantes no que diz respeito aos direitos das pessoas idosas. A Constituição Federal de 1988 garante gratuidade nos transportes coletivos urbanos às pessoas com mais de 65 anos, proteção posteriormente detalhada e ampliada pelo Estatuto da Pessoa Idosa. A Política Nacional de Mobilidade Urbana reconhece a acessibilidade universal e a prioridade dos modos não motorizados, e a ABNT NBR 9050 estabelece parâmetros técnicos de acessibilidade para o espaço construído.  Também houve avanço concreto na infraestrutura. 84% dos moradores pesquisados no Censo 2022 viviam em vias com calçada ou passeio, proporção significativamente superior à registrada em 2010.  Portanto, o problema já foi reconhecido por diferentes instrumentos da política pública. O desafio está em fazer com que esse reconhecimento chegue efetivamente ao território, isto é, saia do papel e SE torne realidade.  Ter calçada não significa poder caminhar Os dados do Censo também mostram a distância entre presença e qualidade. Cerca de 16% dos moradores pesquisados ainda viviam em ruas sem calçadas. Apenas 18,8% residiam em vias com calçadas livres de obstáculos e 68,8% viviam em vias sem rampas para cadeirantes.  Embora cumpram uma função pública, em muitas cidades as calçadas continuam sendo produzidas de maneira fragmentada,

Fonte: BRASIL DE FATO

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