Prefeitura de Curitiba quer retirar o 6º ano de 11 escolas que conquistaram prêmios; famílias exigem a permanência dos alunos
Escolas municipais de Curitiba, como a Albert Schweitzer, na CIC, acumulam conquistas nacionais e internacionais em robótica. Famílias defendem a manutenção do 6º ano nas 11 instituições para garantir que novos estudantes tenham acesso aos mesmos projetos e oportunidades educacionais.

A decisão da Prefeitura de Curitiba de iniciar, em 2027, a transferência gradual dos alunos do 6º ao 9º ano de 11 escolas municipais para a rede estadual está provocando questionamentos sobre o futuro de instituições que se tornaram referência em educação, tecnologia e robótica.
O Notícias de Curitiba defende que a discussão não pode se limitar à distribuição de vagas. É necessário considerar os resultados conquistados pelas escolas, os vínculos construídos pelos estudantes e os investimentos públicos realizados ao longo dos anos.
A principal reivindicação apresentada por famílias e lideranças comunitárias é que as 11 instituições continuem oferecendo o ensino do 6º ao 9º ano, permitindo que os estudantes permaneçam nas unidades onde iniciaram sua formação.

Albert Schweitzer, na CIC, conquistou medalha de ouro no Chile
Um dos exemplos mais expressivos está na Escola Municipal Albert Schweitzer, localizada na Cidade Industrial de Curitiba (CIC).
Em setembro de 2025, a equipe Robotic Dancers conquistou medalha de ouro na modalidade Cabo de Guerra durante o Torneio Internacional de Robótica, realizado em Santiago, no Chile.
O resultado foi divulgado oficialmente pela própria Prefeitura de Curitiba, que celebrou o desempenho dos estudantes.
A conquista demonstra o potencial de uma escola pública situada na CIC e evidencia a importância da continuidade dos projetos educacionais desenvolvidos na instituição.
Em 2026, a escola voltou a conquistar destaque. A equipe Twister obteve o primeiro lugar na modalidade Robótica Artística durante a etapa estadual da Olimpíada Brasileira de Robótica, garantindo classificação para a competição nacional.
Diante desse histórico, surge uma pergunta que merece resposta da administração municipal: por que interromper gradualmente a oferta dos anos finais justamente em uma escola que apresenta resultados tão relevantes?
Outras escolas também conquistaram reconhecimento
A Albert Schweitzer não é um caso isolado. Outras instituições incluídas na reorganização possuem trajetórias de destaque.
A Escola Municipal CAIC Cândido Portinari, também na CIC, conquistou medalha de ouro na modalidade Resgate no Plano e medalha de prata em Cabo de Guerra no torneio internacional realizado no Chile em 2025.
A Escola Municipal Professor Erasmo Pilotto conquistou medalha de ouro em Registro Multimidiático e prata na Dança dos Robôs, na mesma competição.
A Escola Municipal Herley Mehl, no Pilarzinho, alcançou o terceiro lugar em Resgate no Plano no torneio internacional. A instituição também acumula resultados em competições realizadas no Paraná.
No Cajuru, a Escola Municipal Prefeito Omar Sabbag conquistou o primeiro lugar na categoria Middle 1 do Torneio Brasil de Robótica, realizado em agosto de 2025, no Parque Barigui.
A Escola Municipal Papa João XXIII, no Portão, terminou a mesma competição em terceiro lugar.
Já a Escola Municipal Maria Clara Brandão Tesserolli conquistou o primeiro lugar no Desafio Super Teams da etapa nacional da Olimpíada Brasileira de Robótica.
A Escola Municipal Júlia Amaral Di Lenna também se destacou em competições, incluindo premiações em robótica de resgate e robótica artística.
São resultados documentados pela própria administração municipal. Eles demonstram que as escolas envolvidas na mudança desenvolveram experiências pedagógicas que ultrapassam o ensino tradicional.
Prefeitura investiu nos projetos e comemorou as conquistas
Em setembro de 2025, o prefeito Eduardo Pimentel recebeu estudantes e professores das escolas Albert Schweitzer, Cândido Portinari, Erasmo Pilotto e Herley Mehl antes da viagem ao Chile.
Na ocasião, a Prefeitura destacou a importância da robótica para a aprendizagem e informou investimentos de R$ 198 mil na área entre janeiro e julho daquele ano.
Pouco mais de um ano depois, essas mesmas instituições estão entre as escolas que deixarão gradualmente de receber novas turmas dos anos finais.
A mudança gera uma preocupação legítima: como garantir a continuidade dos projetos, das equipes e do trabalho desenvolvido pelos professores se os estudantes precisarem mudar de instituição?
Preservar os laboratórios não significa necessariamente preservar as equipes. Os resultados alcançados dependem também da convivência entre estudantes, do acompanhamento pedagógico e da experiência acumulada pelos profissionais.
Permanência nas escolas é a principal reivindicação
A Prefeitura confirmou em 29 de outubro que o processo será realizado gradualmente até 2030.
Pelo planejamento anunciado, os estudantes que já cursam do 6º ao 8º ano em 2026 poderão concluir o 9º ano nas escolas municipais. Entretanto, quem termina o 5º ano neste ano deverá, como regra, ingressar na rede estadual em 2027.
A administração informou que poderá avaliar a manutenção excepcional de turmas de 6º ano em situações específicas.
Para as famílias que defendem a continuidade das 11 escolas, essa possibilidade não substitui a reivindicação de manter regularmente a oferta dos anos finais.
A transferência pode significar mudanças na rotina, maior deslocamento e afastamento dos projetos educacionais desenvolvidos nas instituições de origem.
Também existe preocupação com estudantes que necessitam de acompanhamento especializado e que já estabeleceram vínculos com professores e equipes pedagógicas.
Famílias cobraram explicações na Rua da Cidadania da CIC
Na quinta-feira, 29 de outubro, o Notícias de Curitiba acompanhou presencialmente a reunião realizada na Rua da Cidadania da CIC, que contou com a participação do secretário municipal da Educação, Paulo Afonso Schmidt, pais, vereadores e lideranças comunitárias.
Durante o encontro, participantes cobraram esclarecimentos sobre a reorganização e defenderam a continuidade das turmas de 6º ano.
A reunião evidenciou que a preocupação das famílias não se resume à garantia de uma matrícula. O que está em discussão é o direito de continuar estudando em instituições que já fazem parte da história das comunidades.
Ampliar creches não precisa significar retirar os anos finais
A Prefeitura justifica a reorganização afirmando que pretende ampliar vagas na educação infantil, fortalecer os anos iniciais e expandir o ensino em tempo integral.
A necessidade de aumentar o atendimento nas creches é reconhecida. Entretanto, a ampliação de uma etapa da educação não deveria ocorrer sem uma avaliação transparente das consequências para outra.
Em vez de tratar a transferência como única alternativa, famílias e representantes das comunidades defendem que sejam estudadas soluções capazes de ampliar vagas sem eliminar a continuidade dos anos finais nas 11 instituições.
A Prefeitura precisa demonstrar quais alternativas foram consideradas, quais são os custos envolvidos e como serão preservados os projetos pedagógicos premiados.
Curitiba precisa preservar suas conquistas na educação
As medalhas conquistadas no Chile, os resultados em competições nacionais e os projetos de robótica desenvolvidos nas escolas municipais representam conquistas de estudantes, professores e comunidades.
A questão central é saber se Curitiba pode ampliar sua rede de educação infantil e, ao mesmo tempo, preservar instituições que já demonstraram capacidade de oferecer oportunidades diferenciadas aos alunos do 6º ao 9º ano.
Para as famílias que defendem a permanência, manter essas turmas significa proteger um trabalho construído durante anos.
Antes de concretizar a transferência, é fundamental que a Prefeitura apresente estudos completos, ouça efetivamente as comunidades escolares e considere a possibilidade de manter os anos finais nas 11 unidades.
Uma escola que conquista reconhecimento internacional não representa apenas um prédio ou um conjunto de salas de aula. Representa oportunidades, conhecimento, dedicação e perspectivas de futuro.
O desafio colocado à Prefeitura de Curitiba é demonstrar que o planejamento educacional para 2027 será capaz de ampliar direitos sem comprometer conquistas que a própria administração municipal ajudou a construir.
Fonte das informações: Prefeitura de Curitiba / Secretaria Municipal da Educação

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