Quintal agroecológico preserva diversidade de alimentos e saberes do campo em assentamento da reforma agrária em MG
As mãos de Sebastião Antonelli, mais conhecido como Piorra, estão acostumadas a mexer com a terra.

As mãos de Sebastião Antonelli, mais conhecido como Piorra, estão acostumadas a mexer com a terra. Aos 62 anos, ele percorre o quintal do Sítio Coqueiros apontando para canteiros, árvores e plantações construídos ao longo dos anos no Assentamento Dênis Gonçalves, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) , em Goianá, na Zona da Mata de Minas Gerais. Tem feijão, couve, chuchu, cebola, alho, pimentão, inhame, mandioca, ervas medicinais, árvores frutíferas e diferentes variedades de milho. Parte da produção alimenta a própria família e outra parcela é comercializada. O cultivo segue técnicas agroecológicas , sem uso de agrotóxicos. “Isso aqui, daqui para baixo, é horta. Tem verdura e os próprios remédios naturais, que servem para criança, que servem para adulto”, conta Piorra ao Bem Viver , na edição do programa do Brasil de Fato que celebra o Dia Nacional da Agroecologia, comemorado em 3 de outubro. O esterco disponível no sítio é usado como adubo e também na criação de minhocas, que ajudam na produção de matéria orgânica utilizada nos canteiros. “Isso aqui é o esterco que eu levo para a horta. Agora aqui elas estão trabalhando”, explica, enquanto revira o material e mostra os animais. A produção garante boa parte da alimentação de Piorra e de Luiza Margarida, com quem ele é casado há 39 anos. A dependência do mercado, conta o casal, diminuiu conforme aumentou a variedade produzida no lote. “Tudo que faz aqui é colhido aqui mesmo, tirado daqui mesmo. A gente já não tem mais que ir no mercado buscar”, diz Margarida. Uma das produções que ultrapassou os limites do sítio é o arroz. Parte da colheita passou a ser destinada à alimentação escolar por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) . O programa é uma das portas para que a agricultura familiar forneça alimentos diretamente ao poder público. A legislação determina que pelo menos 45% dos recursos federais destinados ao Pnae sejam utilizados na aquisição de gêneros da agricultura familiar e dá prioridade, entre outros grupos, aos assentamentos da reforma agrária. Para Margarida, ver o alimento produzido pela família chegar às escolas trouxe um significado especial ao trabalho. “Foi uma honra para mim entregar o nosso trabalho, sabendo que a gente está entregando para as crianças produto de qualidade, sem agrotóxico. Para mim é muito gratificante”, afirma. Luiza Margarida celebra a comercialização do arroz cultivado no sítio | Crédito: Geisa Marques/Brasil de Fato O casal também se prepara para ampliar o cultivo. Margarida conta que a família já fez a inscrição para participar do Arroz da Gente, programa do governo federal que, no estado, é executado com o acompanhamento da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG). “Já estou na expectativa porque já vai vir mais um pedido para eu entregar lá o meu arroz. O ano que vem a gente já vai estar entrando nesse projeto.
Fonte: BRASIL DE FATO


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